Robôs aprendem a usar ferramentas apenas assistindo vídeos

automação Inteligência Artificial (IA) Pro Robôs

Pesquisadores da University of Illinois, em parceria com a Columbia University e a University of Texas, apresentaram uma tecnologia que promete transformar a forma como robôs executam tarefas, conforme divulgado pelo Techxplore. O estudo mostra que agora robôs aprendem a usar ferramentas observando vídeos de pessoas, de forma semelhante ao aprendizado infantil.

O avanço rompe com décadas de limitações em que robôs só realizavam ações repetitivas e pré-programadas. A novidade, chamada de ‘Tool-as-Interface‘, dispensa sensores caros ou horas de teleoperação: basta gravar uma ação com dois smartphones para que a máquina seja capaz de reproduzi-la.

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Reconstrução 3D

O funcionamento combina diferentes técnicas de visão computacional. Primeiro, um modelo chamado MASt3R reconstrói a cena em 3D a partir das imagens. Em seguida, o modelo cria ângulos adicionais, permitindo que o robô veja a tarefa sob diversas perspectivas. A etapa seguinte remove a figura humana da cena, mantendo apenas o movimento da ferramenta, o que facilita o aprendizado do robô.

Essa abordagem “centrada no objeto” é considerada o diferencial do sistema. Em vez de imitar mãos humanas, o robô aprende o trajeto e a orientação exata da ferramenta, o que permite transferir a habilidade entre diferentes modelos de robôs, independentemente do tipo de braço ou câmera que possuam.

Tarefas testadas

Nos testes, as máquinas foram desafiadas em cinco tarefas complexas: martelar um prego, servir almôndegas, virar um ovo em uma frigideira, equilibrar uma garrafa de vinho e até chutar uma bola de futebol em direção ao gol. O método apresentou taxa de sucesso 71% maior e coletou dados 77% mais rápido do que abordagens tradicionais.

Para os cientistas, o projeto aproxima os robôs de um aprendizado mais natural e acessível. “Nossa inspiração veio das crianças, que observam adultos e conseguem reproduzir ações mesmo com ferramentas diferentes”, explicou Haonan Chen, autor principal do estudo, ao Techxplore.

Robô Vulcan, da Amazon, emprega raciocínio automatizado para otimizar o espaço nas caixas e identificar itens sem a necessidade de escanear códigos de barras (Imagem: Amazon)

Apesar do sucesso, os especialistas admitem limitações. O sistema parte da premissa de que a ferramenta está presa rigidamente à garra do robô, o que nem sempre acontece no mundo real. Além disso, a tecnologia ainda enfrenta erros de estimativa de posição em seis dimensões e falhas de realismo em algumas renderizações.

Robôs industriais. Imagem: SasinTipchai/Shutterstock

Mesmo assim, a pesquisa, premiada como Melhor Artigo na Conferência Internacional de Robôs e Automação, é vista como um passo decisivo para tornar robôs mais adaptáveis. No futuro, os cientistas acreditam que as máquinas poderão aprender com vídeos do YouTube ou registros feitos por usuários comuns, transformando gravações caseiras em uma biblioteca global de treinamento. Com isso, a ideia de que robôs aprendem a usar ferramentas como nós pode deixar de ser ficção científica e se tornar parte do cotidiano em cozinhas, fábricas e até no lazer.

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